top of page

NR-1, riscos psicossociais, saúde mental e prevenção do uso de álcool e outras drogas: um novo desafio para as empresas

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), estabelecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), constitui a base do sistema de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. Sua principal finalidade é estabelecer diretrizes para a proteção da saúde e da integridade física e mental dos trabalhadores, promovendo ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e produtivos.

 

Com as atualizações mais recentes, especialmente a inclusão dos fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), as empresas passaram a ter o dever de identificar, avaliar e controlar situações relacionadas à organização e às condições de trabalho que possam impactar a saúde mental, a segurança e o desempenho dos trabalhadores.

 

Entre esses fatores estão a sobrecarga de trabalho, jornadas extensas, pressão excessiva por metas, conflitos interpessoais, comunicação inadequada, violência e assédio no trabalho, baixa autonomia, insegurança organizacional e outras condições que podem contribuir para o sofrimento psíquico e o adoecimento relacionado ao trabalho.


Essa mudança representa uma importante evolução na forma de compreender a saúde e a segurança ocupacional, ampliando o olhar para aspectos organizacionais, relacionais e psicossociais que influenciam diretamente o bem-estar, a produtividade, a qualidade do trabalho e a segurança das operações.


Dependência Química e Riscos Psicossociais


Embora a NR-1 não trate especificamente do uso de álcool e outras drogas, evidências científicas e organismos internacionais demonstram que determinados fatores psicossociais relacionados ao trabalho podem influenciar negativamente a saúde mental e aumentar a vulnerabilidade a comportamentos de risco.

 

Na prática, ambientes de trabalho marcados por sobrecarga, jornadas extensas, pressão constante, conflitos interpessoais, baixa autonomia e falta de suporte organizacional podem contribuir para o sofrimento psíquico e favorecer a busca por formas inadequadas de enfrentamento, incluindo o uso de álcool, medicamentos sem prescrição, tabaco, dispositivos eletrônicos para fumar e outras substâncias psicoativas.

 

Vale lembrar que, fatores externos ao ambiente laboral, como desigualdades sociais, discriminação, violência, questões relacionadas a gênero, raça e outras situações de vulnerabilidade, podem influenciar a forma como os trabalhadores vivenciam a exposição ao sofrimento psíquico, as demandas do trabalho e também dificultar o acesso ao apoio necessário.


Por essa razão, as ações de prevenção e promoção da saúde tendem a ser mais efetivas quando consideram não apenas a diversidade das experiências vivenciadas pelos trabalhadores, mas também os fatores organizacionais e contextuais que podem influenciar a saúde mental e o bem-estar das equipes.

 

Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o uso problemático de álcool permanece entre os principais fatores de impacto na saúde pública brasileira. Além dos prejuízos à saúde individual, seus reflexos também são observados no ambiente de trabalho, por meio do aumento de acidentes de trabalho e de trajeto, absenteísmo, presenteísmo, afastamentos previdenciários, conflitos interpessoais, redução da produtividade e maior rotatividade de pessoal.

 

Os impactos não se restringem às pessoas diretamente afetadas. Estudos da Fiocruz estimam que o consumo de álcool gere custos superiores a R$ 18 bilhões anuais para a sociedade brasileira, decorrentes de gastos com saúde, previdência, perda de produtividade e outras consequências sociais e econômicas.

 

Para as empresas, esses efeitos podem se traduzir em aumento dos custos operacionais, redução da eficiência, comprometimento do clima organizacional e maior exposição a riscos trabalhistas, previdenciários e de segurança.


Em atividades críticas para a segurança, como aviação, transporte, indústria, energia, mineração e construção civil, os impactos podem ser ainda mais expressivos, afetando não apenas a saúde dos trabalhadores, mas também a segurança operacional, a confiabilidade dos processos e a continuidade dos negócios.


Uma oportunidade para fortalecer a prevenção


A inclusão dos riscos psicossociais no PGR representa uma oportunidade para que as empresas ampliem suas estratégias de promoção da saúde, prevenção de agravos e fortalecimento da cultura de segurança.

 

A gestão dos riscos psicossociais não se limita à prevenção de adoecimentos. Ela contribui diretamente para a redução de acidentes, melhoria do clima organizacional, aumento do engajamento, fortalecimento das relações de trabalho, retenção de talentos e sustentabilidade dos resultados organizacionais.

 

Nesse contexto, iniciativas como Programas de Atenção ao Empregado e à Empresa (PAEE), programas de assistência ao empregado, ações de promoção da saúde mental, campanhas de prevenção ao uso de álcool e outras drogas e atividades educativas tornam-se importantes ferramentas complementares de gestão.


As lideranças ocupam papel estratégico nesse processo. Gestores capacitados para reconhecer sinais precoces de sofrimento psíquico, conduzir conversas de apoio, realizar encaminhamentos adequados e promover ambientes psicologicamente seguros tornam-se importantes agentes de prevenção e cuidado.

 

Da mesma forma, a integração do tema aos programas de SST, às SIPATs, aos Diálogos Diários de Segurança (DDS), aos treinamentos corporativos e às ações previstas no PGR contribui para uma abordagem mais abrangente e efetiva da prevenção.

 

Entre as iniciativas que podem apoiar esse processo, destacam-se palestras, workshops, campanhas educativas e outras ações de sensibilização. Além de disseminarem informações baseadas em evidências, essas estratégias favorecem o diálogo, reduzem estigmas e fortalecem uma cultura organizacional voltada ao cuidado, à segurança e à promoção da saúde.


Prevenir é cuidar das pessoas e fortalecer os resultados


A inclusão dos riscos psicossociais no PGR representa uma oportunidade para que as organizações avancem na construção de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e produtivos.

 

Mais do que atender às exigências da NR-1, investir na prevenção significa atuar sobre fatores que impactam diretamente a saúde mental, a segurança operacional, o clima organizacional, a produtividade e a retenção de talentos.

 

Empresas que compreendem essa mudança não apenas reduzem passivos e afastamentos, mas fortalecem sua capacidade de gerar resultados sustentáveis, proteger suas equipes e valorizar seu principal patrimônio: as pessoas.

 

Porque ambientes de trabalho saudáveis não são construídos apenas pela ausência de riscos, mas pela presença de cuidado, respeito, segurança e oportunidades de desenvolvimento.

 

A prevenção do uso problemático de álcool e outras drogas não deve ser vista apenas como uma medida de conformidade legal ou disciplinar. Trata-se de uma estratégia que reduz riscos, preserva vidas, fortalece a cultura organizacional e demonstra compromisso genuíno com a saúde e o desenvolvimento humano.

 

Mais do que atender à legislação, prevenir é valorizar pessoas.


Bora evoluir juntos?




Selene Franco Barreto

Psicóloga Clínica CRP-RJ 05/13631

Consultora de Empresas

Coordenação Geral da Evolução Clínica & Consultoria

 

 

Sherydan Oliveira

Assistente Social CRESS-SP 73.261

Consultora em Saúde Mental Corporativa

Evolução Clínica & Consultoria



Rio de Janeiro, 12 de junho de 2026.


 
 
 

Comentários


bottom of page