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A Elevada Incidência de Microcefalia e Relação com o Vírus Zika.

Artigo publicado em Fevereiro, 2016

 

Sem dúvida que a recente observação do inusitado aumento da incidência de casos de Microcefalia relacionada, à primeira vista, com o vírus Zika, transmitido pelo mesmo mosquito da Dengue, o Aedes aegypti, representou sério e preocupante problema de Saúde Pública no Brasil neste último ano. 2015 terminou com cerca de 3.000 mil casos registrados, segundo o último boletim do Ministério da Saúde, quando o número de casos, habitualmente, ficavam em torno de 200 casos/ano. Sobretudo no Nordeste, onde esse aumento é mais exuberante, podemos considerar este fato como uma verdadeira epidemia, com mais de 50% dos registros, cabendo destacar aqui, os estados de Pernambuco, Paraíba e Bahia que concentraram mais de dois terços dos casos.

No estado do Rio de Janeiro, região metropolitana e demais municípios, este ano de 2015, a Secretaria Estadual de Saúde registrou 67.253 casos de Dengue, sendo 17.257 só na região metropolitana. No que concerne aos casos de microcefalia, no Rio de Janeiro foram registrados um pouco mais de 100 casos, equivalente a 3% dos casos notificados em todo território 
nacional. Para as autoridades de saúde, ainda não se pode falar em epidemia no Rio de Janeiro, apesar da situação preocupante e merecedora de toda a atenção. Contudo, os casos de Microcefalia precisam ser encarados com a maior atenção possível e urgência pelo em face da elevada e inusitada incidência, além da gravidade da situação em si.

 

De fácil diagnóstico clínico, a partir da medida do perímetro cefálico de 32 cms ou menos, associado a manifestações de deficiência mental e distúrbios motores, configurando quadro de atraso do desenvolvimento psicomotor de intensidade variável, a Microcefalia passou a ser condição médica de comunicação obrigatória atualmente. Outra aparente enfermidade neurológica associada à incidência do vírus Zika, de natureza auto-imune, a Síndrome de Guillain-Barré, provoca quadro de paralisia progressiva, tem sido relatada com frequência aumentada, embora bem menos do que os casos de Microcefalia. Todavia, entre as causas de microcefalia, várias condições congênitas (teratogênicas) que podem ser: vírus, defeitos genéticos, distúrbios metabólicos, drogas, etc, não podemos subestimar a causada pelo consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez: Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), caracterizada, também, por microcefalia associada a deficiência psicomotora de intensidade variável. Sendo o Brasil considerado um dos maiores produtores e consumidores de bebidas alcoólicas do mundo, a SAF deveria ser alvo de especial atenção das autoridades públicas, a exemplo do que acontece em países como EUA, Canadá e França, entre outros. Podemos estimar que no Brasil, 30 mil crianças portadoras da SAF nasçam a cada ano, ou seja, 3 casos por dia, sendo que na França, é um a cada dia.

 

É importante chamar a atenção para o fato de estarmos passando, neste momento, por grave crise no Sistema de Saúde Pública, além das crises política e econômica, e não dar a devida atenção ao impacto dessa “epidemia” de microcefalia e suas consequências e prejuízos reais na perspectiva do impacto sobre a Saúde Pública em geral.

 

Assim, diante de tantos desafios, não podemos ficar refém de tais problemas de ordem politica e econômica e deixar de enfrentar com o maior empenho e compromisso esta séria questão da Dengue e o preocupante aumento dos casos de microcefalia relacionada, possivelmente, ao vírus Zika. Por outro lado, é urgente desenvolver estudos e pesquisas epidemiológicas para um melhor entendimento desse fenômeno. Nesse caso, seria, até, necessário a criação de uma “Força Tarefa”, envolvendo diversos profissionais competentes e experientes, afim de um melhor enfrentamento dessa grave questão de Saúde Pública que ameaça milhares de crianças.

 

Prof. José Mauro Braz de Lima, PhD.
Neurologista Clínico,
Diretor Médico da Evolução Clínica

Contato:
jmbl@globo.com

Não podemos ficar refém de tais problemas de ordem politica e econômica e deixar de enfrentar com o maior empenho e compromisso esta séria questão da Dengue e o preocupante aumento dos casos de microcefalia relacionada, possivelmente, ao vírus Zika. Por outro lado, é urgente desenvolver estudos e pesquisas epidemiológicas para um melhor entendimento desse fenômeno.