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Artigo publicado em Setembro, 2017

Dr. José Mauro Braz de Lima, PhD.      

 

9/9, Dia Mundial da SAF

 

Conforme a própria ONU/OMS vem divulgando como recomendação de iniciativas de Saúde Pública há alguns anos, a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) é uma doença subestimada no mundo e no Brasil, apesar de ser reconhecida como questão de Saúde Pública em alguns países como França, Canadá, EUA, entre outros países. A SAF representa um dos mais relevantes problemas de saúde pública face as suas conseqüências neuro-psicológicas e sociais em grande parte do mundo. Decorrente do consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez, caracteriza-se por graves malformações orgânicas, microcefalia, retardo cognitivo (mental), e distúrbios de comportamento. Casos mais leves, com apenas distúrbios cognitivos menos marcantes, podem ser, entretanto, diagnosticados em muitos casos. Reconhecida como uma das causas não-genética mais freqüente de déficit cognitivo e de fracasso escolar na infância, a SAF representa também preocupante fator de gastos de recursos pela sua prevalência entre crianças, adolescentes e adultos. Considerando o elevado e banalizado consumo de bebidas alcoólicas, sobretudo por jovens e mulheres, o Brasil se situa como um cenário de efetivo risco por ser um dos maiores produtores bebidas alcoólicas do mundo (!). Vale lembrar aqui que, ao considerarmos a cerveja, erroneamente, uma bebida “mais leve”, nos colocamos diante de outro fator de risco, uma vez que são os jovens e as mulheres os maiores consumidores de cerveja em nosso país.  

De acordo com dados do Ministério da Saúde-DataSUS, IPEA, dados da literatura internacional, além de publicações da ONU/OMS, estima-se que:

  • no Brasil, atualmente, temos cerca de 3,0 milhões de mulheres grávidas/ano;

  • a taxa de incidência de SAF é estimada em 10/1000 nascimentos vivos;

  • nascem cerca de mais de 30 mil crianças/ano portadoras de SAF;

  • a cada hora surgem 3 a 4 novos casos de SAF;

  • a prevalência de SAF é estimada entre 1 milhão e 2 milhões de casos/ano;

 

Assim, levando-se em conta dados sobre gastos com saúde, educação, anos de vida de trabalho perdidos e reabilitação, estima-se que a SAF pode representar gastos globais, diretos e indiretos, de dezenas de bilhões de reais, conforme recentes estudos realizados pela  ONU/OMS referentes à crianças com Microcefalia na América Latina com destaque para o Brasil.

 

Esperamos com este texto, chamar a atenção para um simples e, ao mesmo tempo, complexo problema de Saúde Pública em nosso país e que pode ser enormemente minimizado em termos de prevenção e promoção de saúde. Vale destacar a recomendação da ONU/OMS sobre estratégias de enfrentamento do Alcoolismo em muitos países incluindo o Brasil. 

Dr. José Mauro Braz de Lima, PhD

Professor de Medicina da UFRJ, Pós-Doutor em Neurociência pela Universidade de Paris,  ex-Presidente da ABRAD (Assoc. Bras, de Alcoolismo e outras Drogas), ex-Presidente da ANERJ (Assoc. de Neurologia do Rio de Janeiro),  Membro da Sociedade Francesa de Alcoologia ),Diretor Médico da Clínica Evolução,  Especialista em Problemas Relacionados ao consumo de Álcool e de outras Drogas (PRAD),  Membro do Conselho Editorial da ABRAMET,  (Assoc Brasileira de Medicina de Tráfego) Membro Titular Emérito da ABN (Academia Brasileira de Neurologia). Membro Efetivo da SAFFrance

E-mail:  safbrasil_rj@hotmail.com

Campanha Mundial de Prevenção da SAF 2017

"Como a SAF é 100% previsível, pode ser 100% evitada. Depende de todos nós."

 

Assim, nessa dimensão, a Campanha SAF Brasil 2017, representa uma importante iniciativa no âmbito da saúde publica destacando-se o contexto da Saúde Materno- Infantil e os aspectos médico-sociais em geral.