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Mulher, mercado de trabalho e vulnerabilidades – o papel das empresas na conscientização e inclusão



Nos séculos XX e XXI, o papel social da mulher sofreu muitas transformações. A luta pela igualdade de direitos se fortaleceu e, pouco a pouco, as mulheres ganharam novos espaços no mercado de trabalho, conquistaram poder de fala e aumentaram sua participação na sociedade. As mudanças foram positivas, embora ainda haja um longo caminho a ser percorrido em busca de representatividade e respeito.


Ao longo dos últimos anos foi possível observar o crescimento de um outro número relacionado às mulheres, mas esse deixa um saldo negativo: de acordo com uma recente pesquisa do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), com dados do Datasus de 2021, o consumo abusivo de álcool entre as mulheres aumentou em 4,25% por ano na última década. Em 2020, quase 16 mil brasileiras morreram por causas atribuídas ao uso nocivo do álcool – número agravado pela pandemia de covid-19. O consumo é considerado abusivo para a mulher a partir da ingestão de quatro doses ou mais de bebida alcoólica em um único dia, ao longo do último mês.


O corpo feminino tem maior propensão a adoecer pelos efeitos do álcool, uma vez que mulheres têm menos água no organismo e menor concentração das enzimas que metabolizam a bebida. Além disso, fatores como variação hormonal, gestação, amamentação e ciclo menstrual afetam negativamente a mulher em comparação ao homem, mesmo quando ela ingere doses menores do que ele. Dessa forma, os prejuízos para a saúde são maiores, potencializando os riscos para câncer de mama, infertilidade, hepatite, cirrose, entre outras doenças.


Se por um lado as disparidades sociais, de gênero e as angústias existenciais empurram muitas mulheres para a dependência alcoólica, porque aumentam os fatores de risco para doenças como Rua Mariz e Barros, 430 - Maracanã / RJ CEP: 20.270-001 Tel./Fax: +55 21 38266705 e +55 21 2205-7223 consultoria@evolucaovida.com.br / www.evolucaovida.com.br CRMPJ: 10.5546-1 CRPPJ: 5001057 ansiedade e depressão, por outro o consumo excessivo de álcool as torna mais vulneráveis e expostas à violência física e mental, gerando um ciclo difícil de ser rompido. E quando acrescentamos a esse cenário o marcador étnico-racial, a situação piora: a discriminação e o preconceito em função da cor são potencializadores de estresse, o que reforça os fatores de risco para o início do consumo de álcool e outras drogas no caso de mulheres negras.


No dia a dia, não faltam apelos para que as jovens comecem a beber cada vez mais cedo. A indústria da bebida, além de atrair as mulheres como consumidoras, tem em seu histórico o uso do corpo feminino para divulgar marcas de fermentados e destilados, associando o ato de beber a uma imagem de glamour, erotização, socialização e beleza. Há mais um agravante nessa relação da mulher com a bebida alcoólica: o risco do consumo durante a gravidez. O álcool atravessa a placenta e atinge o feto, sendo um fator de risco para o desenvolvimento do bebê, pois pode causar a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), gerando doenças físicas e distúrbios neurológicos. A SAF, de acordo com o médico Dr. José Mauro Braz de Lima: “constitui-se em um dos mais instigantes e preocupantes problemas de Saúde Pública e da Saúde Materno-Infantil que compromete milhões de crianças em todo o mundo, decorrente do consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez. Segundo Lima, a SAF é uma doença ‘100% previsível e, portanto, 100% evitável’, se nenhuma mulher consumir álcool durante a gravidez.” No mercado de trabalho, além das exigências inerentes à função que ocupa, a mulher que é mãe precisa provar que é capaz de cumprir seu papel com competência e conciliá-lo com as demandas dos filhos.


O mundo corporativo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evita contratar mulheres que tenham filhos de até 3 anos de idade. Logo, a preocupação exacerbada, a tentativa de equilibrar os diferentes papeis sociais, a culpa, o medo e tantos outros sentimentos acabam levando as mulheres a consumirem mais bebida alcoólica e, muitas vezes, terem vergonha de pedir ajuda. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE), revela dados importantes: desde 2012, a taxa de desemprego das mulheres é superior à dos homens. O estudo foi feito a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2021, do IBGE. De acordo com os dados, desde 2014 a taxa de participação feminina no mercado de trabalho cresceu continuamente e atingiu 54,34% em 2019. Rua Mariz e Barros, 430 - Maracanã / RJ CEP: 20.270-001 Tel./Fax: +55 21 38266705 e +55 21 2205-7223 consultoria@evolucaovida.com.br / www.evolucaovida.com.br CRMPJ: 10.5546-1 CRPPJ: 5001057 Em 2020, com a pandemia, o número recuou para 49,5% e ficou inferior ao início da série histórica, em 2012, que foi de 51,58%


As empresas têm um importante papel nesse contexto, pois é possível ter um olhar mais sensibilizado para as mulheres, entendendo que diante de um cenário de insegurança ela se torna mais vulnerável e suscetível à dependência. Há programas de política de atenção à mulher que ajudam a amenizar a situação de desigualdade, mas eles ainda são escassos. Algumas ações voltadas para a diversidade colaboram para a inclusão de mulheres pretas, por exemplo, tendo impacto positivo na saúde mental delas. Mas isso isoladamente não é suficiente. Todo o contexto precisa ser pensado de maneira humanizada, agindo para mudar a cultura interna do ambiente de trabalho – caso contrário, o preconceito prossegue de forma velada, o que só aumenta o sofrimento e a sensação de não pertencer àquele lugar.


Oferecer suporte e apoio emocional, pensar em programas de prevenção e numa maneira de promover informação no ambiente de trabalho são ações que ajudam a acolher e cuidar. Ao desenvolver um Programa de Atenção ao Empregado e à Empresa (PAEE) é possível oferecer uma escuta ativa e de confiança, porque há confidencialidade no acompanhamento. Dessa forma, as funcionárias se sentem mais à vontade para buscar ajuda, os profissionais que dão suporte conseguem entender a raiz dos problemas e, aos poucos, a área de recursos humanos vai implementando mudanças que se refletem no dia a dia de todos, assegurando a aplicabilidade dos programas e colaborando para a melhoria do clima organizacional.


O dia 8 de março foi oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1975, como o Dia Internacional da Mulher, data que simboliza a luta histórica contra a desigualdade salarial, a violência e o machismo. Grandes foram as conquistas desde então, mas ainda há muito a ser feito.


Aproveite o mês de março para promover a conscientização dentro da sua empresa e dar um passo importante para que as mulheres continuem a conquistar seu espaço no mundo.


Rio de Janeiro, 06 de março de 2023. Selene Franco Barreto Psicóloga Clínica e Consultora


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