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Celebrar a força materna e promover a saúde mental da mulheres



O Dia das Mães se aproxima e o momento é oportuno para dedicar um cuidado especial a todas as mulheres que desempenham o papel de mãe – nem sempre quem ocupa esse lugar é a pessoa que gerou a vida, muitas vezes é uma figura feminina que se dedica ao maternar: avós, tias, madrinhas e tantas outras que assumem a função quando necessário. O compromisso e dedicação dessas mulheres são fundamentais para a organização das famílias e o bem-estar da sociedade.

Celebrar a maternidade é falar também em saúde mental das mulheres. Desde a descoberta da gravidez até a longa trajetória de acompanhar o crescimento dos filhos, é importante estarmos atentos aos desafios emocionais aos quais as mães estão expostas. A romantização da maternidade e as pressões da vida moderna, muitas vezes, acabam tornando os dilemas das mulheres invisíveis, levando-as a procurar meios de mascarar ou escapar dos problemas recorrendo ao uso abusivo do álcool e consumindo medicamentos ou outras drogas. O que começa como um mecanismo de enfrentamento pode rapidamente se transformar em um padrão de uso problemático, afetando não apenas a saúde física e mental da mulher, mas também seu papel como mãe e membro da comunidade.

De acordo com um relatório do Ministério da Saúde publicado em setembro de 2023, o consumo abusivo de álcool aumentou no Brasil entre 2021 e 2023. Durante a pandemia de covid-19, uma pesquisa feita pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) apontou que, no Brasil, 42% dos participantes responderam ter consumido mais bebida alcoólica durante o período de isolamento. Historicamente, os homens tendiam a consumir mais álcool do que as mulheres, no entanto, houve uma tendência de aproximação dos padrões de consumo entre os sexos, com as mulheres não só consumindo uma quantidade maior de álcool, mas também com maior frequência de consumo.



 

Perceber que a mãe pode estar enfrentando um problema de dependência química pode ser desafiador, mas existem alguns sinais e comportamentos que os filhos podem observar. Aqui estão algumas indicações que devem levantar preocupações:

Mudanças de comportamento: mudanças significativas de comportamento, como tornar-se mais isolada, irritável ou defensiva.

Problemas de saúde física e emocional: problemas de saúde inexplicáveis, como mudanças de peso, problemas de sono, tremores, problemas de memória ou concentração, ou parecer emocionalmente instável.

Mudanças no padrão de sono e alimentação: insônia ou sono excessivo, mudanças no apetite, como falta de interesse em comer ou comer em excesso.

Problemas financeiros: dificuldades financeiras inexplicáveis, como falta de dinheiro para despesas básicas, mesmo que ela tenha uma renda estável (isso pode indicar gastos com álcool ou outras substâncias).

Negligência das responsabilidades familiares: falta de interesse com as responsabilidades familiares, como cuidar da casa, pagar contas ou cumprir compromissos familiares.

Mudanças nos relacionamentos sociais: proximidade com pessoas diferentes, especialmente aquelas que parecem estar envolvidas com substâncias, ou afastamento de amigos e familiares.

Os filhos e a família desempenham um papel crucial no apoio à saúde mental de suas mães, avós (ou da mulher que estiver nesse papel) de várias maneiras. Aqui estão algumas sugestões de como eles podem ajudar:

Comunicação aberta e apoio emocional: Criar um ambiente onde elas se sintam à vontade para compartilhar seus sentimentos, preocupações e desafios pode ser extremamente benéfico. Os filhos podem oferecer um ouvido atento, mostrar empatia e validar os sentimentos dessas mulheres.

Encorajamento para buscar ajuda profissional: Encorajar, de forma gentil e respeitosa, a procurar um terapeuta, psicólogo ou psiquiatra, caso a mulher esteja enfrentando dificuldades emocionais ou de saúde mental. Muitas vezes, as mulheres podem relutar em procurar ajuda profissional devido ao estigma ou medo do julgamento.

Divisão de tarefas: Oferecer ajuda prática nas tarefas do dia a dia pode aliviar o estresse e permitir que ela tenha mais tempo e energia para o autocuidado. Isso pode incluir ajudar nas tarefas domésticas, cuidar dos irmãos mais novos, preparar refeições ou acompanhar a mãe em consultas médicas, se necessário.

Promover um estilo de vida saudável: Incentivar hábitos saudáveis, como praticar exercícios físicos juntos, compartilhar refeições nutritivas, estimular a fazer trabalhos manuais/artes, orientar a mãe a dormir o suficiente e a dedicar tempo para atividades relaxantes e prazerosas.

Educação sobre saúde mental: Aprender sobre saúde mental e a como oferecer apoio eficaz. Isso pode incluir a leitura de livros, participação em grupos de apoio ou cursos online sobre saúde mental.

Estabelecer limites saudáveis: Compreender os próprios limites e necessidades, enquanto também estabelecem limites saudáveis com a mãe, especialmente se ela estiver enfrentando problemas de saúde mental que possam afetar a dinâmica familiar. Ter conversas abertas sobre limites pessoais e respeito mútuo pode ser construtivo para todos os envolvidos.

Demonstração de afetos: Sempre que possível, demostrar o afeto e o amor para as mães, avós e mulheres na maternidade. É uma forma de ajudá-las na preservação da saúde mental, fazendo com que elas se sintam mais amadas, e não um peso para a família. Ter paciência, acolher suas histórias do passado e estimular o não isolamento.

Neste Dia das Mães, convidamos você a colaborar para criar um futuro no qual todas as mulheres possam florescer e realizar seu potencial. Vamos honrar e apoiar as mães em todas as etapas de suas jornadas, promovendo a saúde, construindo comunidades mais fortes e reconhecendo que a saúde mental é essencial para o seu bem-estar e o das famílias.

 


 

Referências:

BRASIL. Ministério da Saúde. Consumo abusivo de álcool aumenta 42,9% entre as mulheres. 1 nov. 2011. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2019/julho/consumo-abusivo-de-alcool-aumenta-42-9-entre-as- mulheresAcesso em: 4 maio. 2024.

 

 

Organização das Nações Unidas (ONU Brasil). Pesquisa da OPAS aponta que 42% dos entrevistados no Brasil relataram alto consumo de álcool durante a pandemia. 13 nov. 2020. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/100585-pesquisa-da-opas- aponta-que-42-dos-entrevistados-no-brasil-relataram-alto-consumo-de-%C3%A1lcoolAcesso em: 4 maio. 2024.

 

 

 

 

Rio de Janeiro 08 de maio de 2024.



 

Selene Franco Barreto – Psicóloga Clínica e Consultora de Empresa.

Andreia Amaral – Assessora de Projetos Educativos e Consultora

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