Notícia
Dependência química afeta funcionamento cerebral
01.04.2010 |
A psiquiatra Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abusos de Drogas dos Estados Unidos (Nida, na sigla em inglês), esteve no Brasil semana passada, para ministrar uma palestra na Universidade Federal de São Paulo. A pesquisadora, considerada uma das principais especialistas em dependência química na atualidade, foi recentemente eleita pela revista “Time” como uma das cem pessoas mais influentes do mundo.
Nora foi pioneira no estudo das consequências causadas pelo uso de drogas no funcionamento cerebral. De acordo com ela, o uso contínuo de substâncias psicoativas atinge uma região do cérebro chamada córtex orbitofrontal, que é responsável pela tomada de decisões. “Essa área também é afetada no transtorno obsessivo-compulsivo. É a região do cérebro que nos permite mudar o comportamento de acordo com a necessidade. Por isso, algumas pessoas dizem que não sentem mais prazer com o uso da droga, mas mesmo assim não conseguem parar. Elas perdem o livre arbítrio para dizer ‘não’”, destacou
Na oportunidade, Nora também ressaltou que os dependentes costumam ser julgados como pessoas moralmente fracas, pois é ignorado o fato de que eles não têm domínio sobre suas próprias ações. “Se você está dirigindo um veículo e tenta não atropelar um gato, o freio pode falhar e você não consegue fazer o que quer. É difícil fazer as pessoas acreditarem que algo semelhante ocorre com as drogas. Mesmo quando a pessoa tem a melhor das intenções de não tomar a droga, ela perde a cabeça, o ‘freio’ do cérebro não funciona”, disse.
A diretora da Evolução Clínica e Consultoria, Selene Franco Barreto, esteve no evento. Para ela, outro aspecto importante da palestra foi o reforço da ideia que nenhuma droga é inofensiva. “Ela colocou, baseada em evidências, que as drogas liberadas - álcool e tabaco - são as mais consumidas. Descriminalizando as outras drogas o consumo irá aumentar e o risco será maior”, explicou.
