Notícia

Crack: tratamento humano

 

12.05.2009

 

Jornal do Brasil em 19 de abril de 2009.

Rosanna Talarico Mannarino*,

Crack: tratamento humano

RIO - O crack chegou com força total ao Rio de Janeiro há cinco anos. Até então o consumo de crack era centralizado em São Paulo, tendo os primeiros relatos no Brasil em 1989. Hoje o mercado do crack é forte e intenso em todo o país devido à natureza da droga, um subproduto que resulta do refino da cocaína, mais forte e ma
is barato, atingindo assim principalmente a população menos prestigiada financeiramente.

A dependência de crack acontece de forma muito mais rápida e intensa do que a cocaína. Os danos são visíveis já nas primeiras semanas de uso, diferenciando do perfil da dependência do álcool e outras drogas. Devido à dependência acentuada, a droga leva à exclusão social e desagregação familiar, além de estimular a criminalidade por conta do alto comprometimento do usuário. É comum a ocorrência de comportamentos sexuais de risco que podem implicar gravidez indesejada e doenças infectocontagiosas como HIV, sífilis e hepatite.


Tanto na população de rua como na classe média percebe-se também o aumento do consumo de crack entre crianças e jovens. Entre os jovens de classe média, vem se disseminando a mistura da maconha com o crack – conhecida no Rio como desirre ou sire. Com isso, a passagem para o crack pode ocorrer em pouco tempo. Entre os dependentes de drogas que recebi para tratamento nos primeiros meses deste ano, em 24% prevalece o uso de crack e percebe-se também que existe uma maior dificuldade de dar continuidade à abstinência por um período longo. Se com suporte familiar e social já existe uma grande dificuldade de recuperação, entre a população de rua a situação é muito mais grave, uma vez que hoje são levados para locais onde não há um trabalho voltado para essa questão específica.

Sem um tratamento adequado que abranja todas as esferas humanas (biopsicossocial), a reinserção na sociedade se torna quase inviável. A urgência de uma estratégia pública que seja dirigida para esses usuários e suas necessidades seria o único caminho possível.

*Psicóloga Clínica
Especialização em Terapia de família.
Pós-graduanda em dependência química (PUC)
Coordenadora da Clínica Evolução

 

 

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