Artigo: 26 de Junho - Dia Internacional de Combate ao Uso de Drogas

Algum tempo se passou desde quando as empresas subestimavam os efeitos das ocorrências ligadas ao uso de drogas no local de trabalho, negando-os ou minimizando-os. Atualmente, observa-se que as empresas públicas e privadas têm se preocupado com o aumento da incidência dessas situações.

Para a OMS droga é definida como “qualquer substância que, quando absorvida pelo organismo por diferentes vias (oral, endovenosa, inalada, etc...), altera o funcionamento do Sistema Nervoso Central (S.N.C.) do usuário, causando mudanças no estado de consciência e no senso de percepção, uma vez que as referidas substâncias podem atuar como depressoras, estimulantes ou perturbadoras do S.N.C.
Quanto aos termos uso e abuso de drogas, é importante esclarecer sobre a diferença do significado de cada um deles. Usar drogas significa consumir algum tipo de substância psicoativa de forma eventual ou recreacional. Como exemplos, podem ser citados o consumo de bebidas alcoólicas em determinadas ocasiões, o uso de psicofármacos por recomendação médica, o uso de algumas ervas em rituais religiosos, ou ainda, o uso esporádico de drogas consideradas ilícitas (maconha, cocaína, etc...). Já o abuso de drogas refere-se ao consumo excessivo de qualquer substância psicoativa, que acarrete danos físicos, psicológicos e/ou sociais para o indivíduo.

No que tange a definição de droga lícita ou ilícita, ambos os termos são constantemente utilizados por profissionais e pesquisadores do campo dos problemas
relacionados ao álcool e outras drogas (PRAD), porém, não se prendem fundamentalmente a critérios técnicos, farmacológicos ou científicos, e podem variar de significado de acordo com o contexto sociocultural. Por exemplo, enquanto em muitos países islâmicos o consumo do álcool é ilícito e severamente punido pelas leis do Alcorão, o mesmo não acontece ao haxixe, cujo consumo é pelo menos tolerado. No Ocidente, tais normas claramente se invertem. No Brasil, freqüentemente são consideradas ilícitas as drogas cujo comércio e o consumo são proibidos por lei (maconha, cocaína, heroína, crack, etc...), e como lícitas aquelas cuja lei permite que sejam comercializadas e consumidas (álcool e psicofármacos). No entanto, essa classificação não é muito bem definida, uma vez que algumas substâncias cujo comércio é permitido (éter, cola de sapateiro, benzina, etc...) podem ser usadas para fins diferentes daqueles para os quais foram produzidas e com o propósito de alterar a consciência do indivíduo.

Por estas – e tantos outras questões - em 1987 a ONU instituiu o dia 26 de junho como sendo o Dia Internacional de Combate ao Uso e Tráfico de Drogas. Desde então nesta data, no mundo todo, acontecem atividades sociais com a finalidade de aumentar a consciência do planeta para o problema. A primeira conferência sobre o assunto foi convocada pela ONU em fevereiro de 1990, firmando de 1991 a 2000 como anos internacionais de combate às drogas.
Em 1997 a ONU criou o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) com o objetivo de prestar cooperação técnica aos países-membros para reduzir os problemas na área de saúde (como o HIV) e social (como a violência) que tenham relação direta ou indireta com drogas ilícitas e o crime. Desde então, a cada ano, no mês de junho, o UNODC prepara uma campanha internacional de prevenção para o Dia Internacional de Combate ao Uso e Tráfico de Drogas - visando contribuir para o desenvolvimento socioeconômico dos países ao promover justiça, segurança, saúde e direitos humanos.

A orientação do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC) no último Relatório Mundial sobre Drogas (2009) é que “na luta contra as drogas, não basta aumentar a repressão contra o tráfico: é preciso também maior investimento dos países em prevenção e no tratamento dos usuários. Combinar o trabalho de repressão com ações continuadas de educação e prevenção e programas efetivos de tratamento é a saída para reduzir o uso de drogas e suas conseqüências devastadoras, pois oferecer assistência médica aos usuários é a maneira mais efetiva de diminuir o mercado”, diz o documento.

O Relatório do ano de 2009 trouxe dados sobre o consumo mundial de drogas e também informações específicas sobre cada país. Aproximadamente 200 milhões de pessoas usam drogas ilícitas pelo menos uma vez ao ano em todo o mundo. O Brasil está entre os quatro países com maior quantidade de usuários de drogas injetáveis. A pesquisa apontou também um crescimento brasileiro no mercado de ecstasy. Outro ponto do relatório evidencia a disseminação do crack em capitais e cidades médias do Brasil. Em um ano, as apreensões da droga quadruplicaram. Em 2006, 145 quilos foram recolhidos. No ano seguinte, o total chegou a 578 quilos, o suficiente para produzir quase três milhões de “pedras”. A maior preocupação dos especialistas em relação à disseminação da droga é o poder devastador do crack, que gera dependência muito rápido e compromete gravemente o organismo também de forma acelerada e intensa, além de estar associado ao aumento da violência nas grandes cidades.

Para o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), uma das formas mais importantes de prevenir o uso de drogas é a informação: É preciso saber sobre os riscos do abuso das substâncias psicoativas. A magnitude do problema do uso indevido de drogas, verificada nas últimas décadas, ganhou proporções tão graves que hoje é um desafio da saúde pública. Além disso, este contexto também é refletido nos demais segmentos da sociedade por sua relação comprovada com os agravos sociais, tais como: acidentes de trânsito e de trabalho, violência domiciliar e crescimento da criminalidade.

Considerando esta realidade e o consenso de especialistas em PRAD (Problemas Relacionados ao Álcool e outras Drogas) de que o local de trabalho é espaço privilegiado para a implementação de estratégias preventivas, uma ação eficaz e economicamente interessante para o ambiente corporativo é não ignorar tal fato. O investimento na qualidade de vida dos empregados, assegurando o bem-estar, a satisfação e a motivação das pessoas que compõem a força de trabalho deve ser o substrato para trazer à discussão um tema tão presente.

Hosana Siqueira – Consultora em PRAD da Evolução Clínica & Consultoria
Fontes consultadas:

•Boletim Eletrônico da ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas) – 2010.

•Caldeira, Z.F. - Drogas individuo e família: um estudo de relações singulares – ENSP / FIOCRUZ – Rio de Janeiro – 1999.

•Campana, A. A. M. - Álcool e Empresas. In: Ramos, Sérgio de Paula & Bertole, José Manoel org. Alcoolismo Hoje. Porto Alegre: Artes Médicas - 1997.

•Fridman, Ida S., Pellegrini, Inês L. - Trabalho & Drogas - Uso de substâncias psicoativas no trabalho. Porto Alegre - UNDCP/SESI/FIERGS/EDIPUCRS – 1995.

•UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime) – World Drug Report 2009.

 

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